Vivemos tempos de incerteza. O cenário pandémico atual levanta, desde logo, um enorme desafio ao nível da saúde pública. A prioridade é e será sempre salvar vidas, e todo o trabalho dos profissionais de saúde merece o nosso total apoio, respeito e admiração.

Numa segunda linha, temos obviamente a economia. É imperioso que o nosso tecido empresarial consiga resistir o melhor possível a toda esta situação, e mantenha dentro do possível a sua atividade normal. Estamos neste momento no “olho do furacão”, em fase crítica de avanço da pandemia, pois ainda não foi atingido o previsível pico de contágio. Confrontados com este cenário, reina a incerteza entre os empresários e as perguntas são mais do que as respostas.

Mais do que um problema económico, temos um problema de “caixa” nas empresas. Ou seja, urge encontrar soluções que possam garantir a sobrevivência das empresas durante os próximos meses, para que depois seja possível garantir a lenta, mas esperada, recuperação. “Tesouraria” é a palavra do momento nas empresas. Para além das medidas de apoio já anunciadas pelo Governo, de que temos dado conhecimento, é importante que defina para a sua empresa um plano de gestão de Tesouraria claro e eficaz para o curto prazo. É neste ponto que o queremos ajudar!

Conheça aqui os passos a cumprir para um plano de gestão de tesouraria eficaz e adaptado aos dias difíceis que vivemos.

Passo 1 - Construa uma previsão de recebimentos

Com base na informação que tenha já consigo neste momento, mas também considerando os contactos que está a fazer com os seus clientes, terá de construir uma previsão de receitas e, simultaneamente, de recebimentos. Isto é, para além dos valores que previsivelmente irá faturar (ou até já faturou neste mês de março), importa saber com algum grau de certeza quais os montantes que espera ver entrar no seu “caixa”;

Passo 2 - Construa uma previsão de pagamentos

Claramente, cada caso é um caso, e a sua empresa tem especificidades próprias. Mas, em qualquer caso, certamente já tem uma previsão dos montantes que tem a pagar mensalmente, e daí conseguir prever o que terá de pagar em abril e em maio.

Ora, entrámos num momento absolutamente excecional, no qual poderá haver mais abertura dos seus fornecedores para negociar prazos de pagamento. Fale abertamente com cada um dos seus principais fornecedores, e exponha claramente a sua intenção de honrar todos os seus compromissos. Este aspeto é muito importante: passe uma mensagem de confiança e de compromisso. Afinal, não vivemos sem os nossos fornecedores, e eles sem nós também não. Logo, deixe claro que apenas lhes está a pedir um alargamento de prazos e não uma redução de preços. É importante sermos justos com todos eles, pois também não desejamos que os nossos clientes se comportem de forma diferente connosco.

Como se costuma dizer, “os impostos e a morte são as únicas coisas certas na vida”. Assim sendo, também relativamente a impostos e contribuições, é necessário fazer um levantamento do que a sua empresa pagará nos próximos meses. Se o IVA irá baixar naturalmente, pois a faturação cairá, os restantes impostos manterão provavelmente o seu valor. De qualquer forma, conforme referido no “Passo 5”, existem neste âmbito medidas de apoio que não pode descurar, nomeadamente diferimento em alguns prazos (saiba mais aqui).

Passo 3 – Analise os custos fixos da sua empresa

A sua empresa tem custos fixos e custos variáveis. Relativamente a estes últimos, se a atividade abranda naturalmente os mesmos reduzir-se-ão. Já os fixos manter-se-ão, a não ser que faça algo para os controlar e reduzir.

Posto isto, tem noção quais os seus custos fixos? A renda da loja, o renting da fotocopiadora, o leasing do carro... não vão baixar, apesar de a sua empresa estar praticamente parada. O que fazer então?

Contacte as respetivas entidades e renegoceie. À semelhança do que mencionámos no passo 2, importa manter uma postura honesta, de compromisso, mas simultaneamente assertiva, alertando para a excecionalidade da situação atual, do quão importante pode ser essa negociação para o futuro da sua empresa.

Passo 4 – Analise o quadro de pessoal e respetivos gastos

Esta é uma área especialmente sensível da sua empresa. Todos os seus colaboradores estão neste momento ansiosos, com medo fundado de perder os seus empregos. Comece por tranquilizá-los. Nesta fase difícil é fundamental passar uma mensagem de confiança e serenidade. Bem sei que é muito difícil, no atual panorama, mas é indispensável que faça esse esforço e dê esse exemplo. Está na altura de provar que é um líder e não apenas um chefe. Vamos agora aos custos... a área de RH representa provavelmente o maior custo na sua empresa. Mas lembre-se que são as pessoas que fazem a diferença, e que permitem que a sua empresa tenha vindo a ser bem-sucedida em todos os momentos.

Comece por fazer um levantamento dos contratos por tipo (sem termo, e a prazo). Depois identifique quais os elementos da sua empresa que são absolutamente indispensáveis para que a mesma funcione. A partir daí, faça as contas (peça ajuda, caso tenha dificuldades nestes cálculos) para avaliar qual o custo de dispensar algum(ns) elemento(s) da sua equipa. Construa cenários realistas, e considere apenas dispensar o indispensável. Não se esqueça que se, como todos esperamos, a recuperação acontecer num horizonte relativamente curto, irá necessitar dessas pessoas de novo, e elas podem já não estar disponíveis.

Passo 5 – Aproveite as medidas excecionais de apoio

Bem sabemos que o até agora anunciado pode não corresponder às suas legítimas expetativas (consulte o nosso E-book, com informação detalhada). No entanto, não deixe de analisar cuidadosamente as várias medidas neste momento disponibilizadas. Se necessitar de esclarecimentos a este nível, pode contar connosco. Contacte-nos, e nós ajudamo-lo a interpretar os vários apoios e a adequá-los ao seu caso concreto.

Passo 6 – Financie-se apenas se for mesmo indispensável

O momento que vivemos propicia decisões precipitadas. De facto, o cenário atual é de tal forma estranho e inesperado, que por vezes damos por nós a pensar se isto não passa de um pesadelo. Infelizmente é bem real, e o “sangue frio” na tomada de decisões na sua empresa é, hoje, mais importante que nunca. Daí, e após analisar e trabalhar os 5 passos anteriores, estará em condições de avaliar se a sua empresa necessita de mais um financiamento, e se sim, quando e de quanto. Não se precipite. Faça primeiro o “trabalho de casa” dos passos 1 a 5, e depois tome uma decisão devidamente fundamentada.


Mas não ficamos por aqui... no âmbito do nosso conteúdo sobre o planeamento de tesouraria da sua empresa, disponibilizamos-lhe também um simulador em formato Microsoft Excel, que o ajudará a prever os próximos pagamentos de impostos, em função dos fracionamentos atualmente em vigor.


Precisa de apoio para fazer o seu plano de tesouraria? Nós ajudamos. Contacte-nos!


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